O Diferencial da Cidade há 23 anos
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Ceará suportaria uma seca até 2014?

O que tinha em casa para o agricultor, a dona de casa e os 11 filhos beberem não chegava nem a três litros de água. Vianês Rodrigues, 54, abriu a geladeira enferrujada. Dividiam o espaço nas prateleiras duas garrafas com água pela metade e pedaços de pato cortado. Somente. O garrafão de água havia sido comprado há menos de quatro dias por

R$ 2 e não deu pra quem quis. “Quando não tem dinheiro, o jeito é cozinhar com a água que vem pelos canos. É água grossa”, lamenta o agricultor. Seu Vianês colocou num copo a água. Era turva.

 

Mas em Campos Belos, distrito de Caridade, a 100 quilômetros de Fortaleza, é essa a única água disponível para a população. “Quero é ver se não chover”, repetia ele. E a preocupação da família não é em vão. Caridade é um dos 15 municípios que enfrentam os maiores problemas com a seca, a pior em 20 anos. No caso de a falta de chuva permanecer até 2014, o número de cidades com dificuldades no abastecimento, e até com o uso do racionamento, pode aumentar. Ainda não é possível avaliar quantos seriam os municípios em colapso por falta d’água.

 

As cidades mais problemática, segundo a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), são Quiterianópoles, Tauá, Crateús, Beberibe, Pacoti, Milhã, Itapajé, Irauçuba, Paracuru, Salitre, Itatira, Trairi, Acopiara, Caridade e Pecém. As condições podem ser pioradas principalmente para a população rural, difusa por todo o Ceará.

 

O professor Francisco de Assis de Souza Filho, do Departamento de Engenharia Ambiental e Hidráulica da Universidade Federal do Ceará (UFC), acredita, no entanto, que a seca possa também se estender para as sedes municipais. “Nós teríamos consequências graves. A própria irrigação e pecuária seriam ainda mais prejudicadas. Dessa vez, não seriam só as áreas rurais. O abastecimento urbano também ficaria comprometido”, explica o professor. Ele acrescenta que a hipótese de seca por mais um ano não estaria tão distante. “O Ceará tem o histórico de longos períodos de estiagem. Seria necessário apoio federal mais efetivo”, avalia.

 

O superintendente da Agência Nacional das Águas (ANA), Joaquim Gondim, esteve em Fortaleza na última semana para discutir exatamente as formas de mitigar as consequências da estiagem. Ele avaliou o Estado como tendo uma das melhores preparações para enfrentar a seca, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas pela população. A projeção de um período maior, alerta Gondim, traria agravamentos. “Estamos nos antecipando com essa reunião. Mas outras ações emergenciais teriam de ser pensadas”, alerta.

 

O presidente da Cagece, André Facó, diz que a companhia já se antecipa para o pior. Se a seca se prolongar até 2014, ele diz que o número de municípios afetados deve aumentar, mas Fortaleza não estaria entre eles. “Temos água para os próximos três anos na Capital. Investimentos devem garantir água para a década.”

 

Três visões

 

Seca no Ceará

O Estado teria capacidade para enfrentar a seca caso ela se estenda até o fim de 2014?
O estado da água, irrigação, pecuária e o próprio consumo, já estão comprometidos. A tendência é piorar em várias cidades

Francisco Filho, professor de Engenharia da UFC

 

O Ceará é o estado melhor preparado do Nordeste em relação à seca. Temos 5.600 açudes com água acima de 5 ha

Nelson Martins, secretário da SDA

 

A água que chega aqui em casa é cheia de barro. Chega é marrom, não dá pra beber. Nós é obrigado a comprar o galão

Vianês Rodrigues, 54, agricultor

 

93
É a quantidade dos principais açudes do Ceará com menos de 40{a83dbfc36255495a229e9a7de6bbeb5e3fd8a518c3f19644ba1c6c1e9fdeeb95} da capacidade hídrica.

 

Fonte> http://www.opovo.com.br/app/opovo/especiais/seca/2013/04/02/notespseca,3031994/ceara-suportaria-uma-seca-ate-2014.shtml

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